Felicidade & Ciência
- victorabiassio
- 24 de mar. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 14 de jun. de 2024
A busca pela felicidade é algo que guia nossas escolhas e fundamenta nossos objetivos. Mas o que realmente nos torna felizes, de acordo com a ciência? Se você quer descobrir, continue a ler esse post. Ele foi baseado em um curso chamado a Ciência do Bem-Estar, ministrado por Laurie Santos, da Universidade de Yale.
Não é difícil encontrar quem busque a felicidade por meio do consumismo, uma vez que vivemos em uma sociedade que incentiva esse comportamento.

Mas é preciso tomar cuidado com essa ideia: Nickerson et al. (2003) identificaram, dentre um grupo de 12 mil pessoas, quais eram materialistas. 20 anos depois, fizeram perguntas para essas mesmas pessoas, acerca da satisfação que sentiam com a vida. Os materialistas estavam significativamente mais insatisfeitos do que as outras pessoas. Isso parece indicar que a procura pela felicidade não perpassa por adquirir coisas. Até porque não demora muito para que nos acostumemos com o novo produto adquirido e ele perca seu brilho.
No lugar disso, invista em experiências como viagens, shows, visitas a lugares interessantes, práticas culinárias, entre outros. Não nos acostumamos a experiências porque elas não se repetem com alta frequência, de modo que elas permanecem interessantes.

Van Boven & Gilovich (2003) pediram para pessoas refletirem sobre compras materiais e vivências de experiências que elas tiveram com mais de 100 dólares. Ao avaliarem qual das duas situações às deixava mais feliz quando pensavam a respeito; qual contribuiu mais para a sensação de felicidade atual e em qual situação elas sentiam que o dinheiro foi bem gasto, os participantes do estudo apontaram a vivência da experiência como a mais feliz, nas três situações.
Outro fator fundamental para a sensação de bem-estar é a comparação social. Especialmente devido ao uso massivo de redes sociais, estamos sempre sendo comparados aos outros. Seja com relação ao trabalho que exercemos, à renda que temos ou ao corpo que apresentamos, tomamos como parâmetro a vida de terceiros para julgarmos a nossa própria. O problema de agir assim consiste no fato de que não sabemos quais as condições que são experimentadas pela outra pessoa. Desconhecemos quais variáveis estavam presentes no atingimento daquela condição. Por exemplo, quando uma jovem compara o seu corpo com o de uma influencer, o faz sem avaliar qual a rotina de exercícios da última; quão restritiva é sua dieta; que medicamentos ela utilizou (afinal, a influencer pode até fazer uso de substâncias ilegais e essa informação nunca chegará à jovem deste exemplo); que tipo de auxílio financeiro foi recebido; qual o suporte familiar tido por esta influencer; quanto daquele corpo foi previamente maquiado e/ou editado... Enfim, são inúmeras as variáveis que influenciam essa condição e a jovem faz uma comparação sem conhecer nenhuma delas. E pior, sua autoestima será afetada por essa injusta avaliação.
Por outro lado, com o auxílio da psicoterapia, é possível analisar quais são os fatores presentes na sua vida que são determinantes para o seu comportamento. Utilizando o exemplo anterior, seria muito mais benéfico para a jovem procurar ajuda multidisciplinar (psicólogo, educador físico, nutricionista, etc) para identificar quais são as dietas e exercícios mais indicados para a sua rotina específica, com o seu porte financeiro e que possibilitem que ela se aproxime do tipo de corpo que deseja, da forma mais saudável possível. Sendo assim, é necessário tomar cuidado com a frequência e a intensidade com que fazemos comparações entre nós e outras pessoas. No caso do exemplo, pode ser interessante diminuir o tempo passado em redes sociais.
Pensando nisso, faço um alerta: é importante diminuir as comparações, mas é imprescindível que você não se isole. A conexão social é parte fundamental da felicidade. Myers (2000) fornece dados vantajosos sobre quem possui fortes laços sociais: menor vulnerabilidade perante morte prematura; maior chance de sobreviver a doenças fatais e chance menor de ser vítima de eventos estressantes. Diener & Seligman (2002) indicam que pessoas felizes tem mais amigos próximos, laços românticos e fortes laços familiares. Portanto, mantenha-se próximo de amigos e familiares com quem você tem uma boa relação. Eles são parte essencial do seu bem-estar.

Por fim, ter boa saúde física e mental também é importante para sua felicidade. A prática de exercícios físicos é grande aliada no aumento do humor e redução do estresse (Roeder, 1999). Uma rotina de sono adequada também afeta o humor (Dinges et al., 1997). Desse modo, adotar um estilo de vida mais saudável também aumenta a sua noção de felicidade.
Portanto, evite o consumismo e comparações sociais. Em vez disso, invista em experiências que considere interessantes; cultive as conexões que possui com amigos e familiares; facilite o acesso a hábitos saudáveis. A psicoterapia pode lhe ajudar a identificar esses elementos e a inseri-los em sua vida. Se você gostaria de colocar esses preceitos em prática, marque uma sessão comigo. Estou aqui para lhe ajudar!
Até breve!
Referências:
Diener, E., & Seligman, M. E. P. (2002). Very Happy People. Psychological Science, 13(1), 81–84.
Dinges, D. F., Pack, F., Williams, K., Gillen, K. A., Powell, J. W., Ott, G. E., Aptowicz, C., & Pack, A. I. (1997). Cumulative sleepiness, mood disturbance and psychomotor vigilance performance decrements during aweek of sleep restricted to 4-5 hours per night. Sleep: Journal of Sleep Research & Sleep Medicine, 20(4), 267–277.
Nickerson, C.; Diener, E.; Schwarz, N. (2003). Zeroing on the Dark Side of the American Dream: A Closer Look at the Negative Consequences of the Goal for Financial Success. Psychological Science, 2003, Vol. 14, 531 – 536.
Myers, D. G. (2000). The funds, friends, and faith of happy people. American Psychologist, 55(1), 56–67.
Roeder, M. A. (1999). Benefícios da atividade física em pessoas com transtornos mentais. Revista Brasileira Atividade Física & Saúde, 4 (2), 62-76.
Van Boven, L., & Gilovich, T. (2003). To Do or to Have? That Is the Question. Journal of Personality and Social Psychology, 85(6), 1193–1202.
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