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Dependência Emocional

  • victorabiassio
  • 3 de jul. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 11 de jun. de 2024

A dependência emocional trata de uma relação permeada por uma dependência excessiva de um indivíduo em relação ao outro no âmbito psicológico, comportamental e emocional (Carvalho e Negreiros 2011). Em outras palavras, é um transtorno que traz sofrimento por impossibilitar a formação de um relacionamento saudável. Ocorre, nesse contexto, uma necessidade de apoio, cuidado e validação do outro. O dependente emocional é submisso, tem dificuldade de tomar decisões, centra-se completamente em sua relação amorosa, presta cuidados excessivos ao outro e negligencia as suas próprias necessidades (Moral e Sirvent, 2008).

Mulher com as mãos amarradas

Assim como é comum entre distúrbios psicológicos, a dependência emocional é determinada por fatores biológicos e socioculturais. Quanto a questão fisiológica, é importante analisar que sentimentos amorosos utilizam as mesmas vias neurais que substâncias psicoativas, ativando sistemas de recompensa e criando sintomas de dependência similares (Fisher, Aron e Brown, 2005). Isso é relevante, porque explica parcialmente a dificuldade que dependentes emocionais possuem em romper os relacionamentos: assim como usuários de drogas, eles desenvolvem sintomas de fissura e abstinência (Izquierdo Martínez e Gómez-Acosta, 2013; Sussman, 2010).

Da parte sociocultural, as pesquisas apontam que pais tóxicos (negligentes, controladores, usuários de drogas, agressivos e/ou abusadores) criam condições que propiciam uma probabilidade maior de seus filhos desenvolverem dependência emocional e baixa autoestima (Giddens, 1993). Pimentel (2011) afirma ainda que o dependente possui uma fome emocional, isto é, uma procura por receber o amor que lhes fora negado em sua família. Além disso, por ter baixa autoestima e pouco autoconhecimento, o indivíduo acometido por essa condição confunde sua identidade com a do outro (Hemfelt, Minirth e Meier, 1989). Assim, o dependente emocional é um indivíduo inseguro e privado de autonomia. Ele precisa da validação do outro em quase todas as suas escolhas, desde as profissionais até com que tipo de roupa ele deve se vestir. Como consequência, perde também o seu autoconhecimento (do que eu gosto? O que desejo? O que devo fazer?).

Essas questões também fazem com que o rompimento de relacionamentos amorosos se torne mais difícil. Afinal, sem a presença do parceiro, faz-se necessário que escolhas sejam tomadas e responsabilizações sejam assumidas. Mas em um contexto de insegurança e falta de autonomia, o indivíduo prefere manter a relação – mesmo que ela seja insalubre. Destaco isso porque a dependência emocional é fator de risco para violência doméstica (Bornstein, 2006, 2012; Charkow e Nelson, 2000; Kane, Staiger, & Ricciardelli, 2000). Como manter a relação é mais importante do que o cuidado pessoal, limites são diluídos e a autoconfiança é fragilizada. Ademais, o codependente (aquele que tem um relacionamento amoroso com um dependente emocional) é compulsivo, tem maturidade baixa, tem a vida pontuada por extremos e recorrentemente faz uso de negação e repressão (Hemfelt, Minirth e Meier, 1989).

Mulher sorri ao se olhar no espelho

Portanto, é importante buscar tratamento para essa condição, a fim de escapar dessas consequências nefastas. Para tanto, é necessário trabalhar a autonomia e o autoconhecimento (Giddens, 1993), pois, como já foi dito, são duas características determinantes para o estabelecimento do distúrbio. Ademais, é fundamental reconfigurar a individualidade do dependente. É preciso separar o “eu” do “outro” para que limites e interesses sejam reconhecidos e, posteriormente, estabelecidos. Por fim, é interessante resgatar a autoestima do indivíduo para ressignificar o medo que ele sente quando se encontra sozinho. Isso possibilita que ele avalie melhor a qualidade da relação e a compatibilidade com o potencial parceiro antes de entrar em um relacionamento.

Se identificou com as características dessa condição? Lembrou de alguém que passa por esse tipo de situação? Quer saber mais sobre como implementar práticas que possibilitem a alteração desse quadro?


Então conte comigo para lhe ajudar!


Até breve (:



Referências:

Bornstein, R. F. (2006). The complex relationship between dependency and domestic violence: converging psychological factors and social forces. American Psychologist, 61(6), 595-606. doi: 10.1037/0003-066X.61.6.595


Bornstein, R. F. (2012). Illuminating a neglected clinical issue: Societal costs of interpersonal dependency and dependent personality disorder. Journal of clinical psychology, 68(7), 766-781. doi: 10.1002/jclp.21870


Carvalho, L. S.; Negreiros, F. A. (2011). Co-dependência na perspectiva de quem sofre. Boletim de Psicologia, São Paulo, v. 61, n. 135, p. 139-148.


Charkow, W. B., & Nelson, E. S. (2000). Relationship dependency, dating violence, and scripts of female college students. Journal of College Counseling, 3(1), 17-28.


Fisher, H., Aron, A., & Brown, L. L. (2005). Romantic love: An fMRI study of a neural mechanism for mate choice. Journal of Comparative Neurology, 493 (1), 58-62.


Giddens, A. (1993). A Transformação da Intimidade: Sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas. São Paulo: UNESP.


Izquierdo Martínez, S. A., & Gómez-Acosta, A. (2013). Dependencia afectiva: abordaje desde una perspectiva contextual. Psychologia: Avances De La Disciplina, 7(1), 81-91.


Kane, T. A., Staiger, P. K., & Ricciardelli, L. A. (2000). Male domestic violence attitudes, aggression, and interpersonal dependency. Journal of Interpersonal Violence, 15(1), 16-29. doi: 10.1177/088626000015001002


Moral, M. V., & Sirvent, C. (2008). Dependencias sentimentales o afectivas: Etiología clasificación y evaluación. Revista Española de Drogodependencias, 33(2), 151-167.


Pimentel, A. (2011). Violência Psicológica nas Relações Conjugais: pesquisa e intervenção clínica. São Paulo: Summus.


Sussman, S. (2010). Love addiction: Definition, etiology, treatment. Sexual Addiction & Compulsivity, 17(1), 31-45. doi: 10.1080/10720161003604095.

 
 
 

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