Ansiedade
- victorabiassio
- 24 de mar. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de jun. de 2024

A Organização Mundial de Saúde divulgou em 2022 um mapeamento de transtornos mentais. Nesse relatório, foi apresentado que, em todo o mundo, o Brasil é o país com a maior taxa de prevalência de transtornos de ansiedade (cerca de 9% da população). Além disso, depois da pandemia, esse transtorno teve a incidência aumentada em 25%. Sendo assim, é uma condição que precisa ser amplamente estudada. E para te ajudar a compreendê-la, escrevi esse texto.
Ansiedade consiste na antecipação de uma potencial ameaça futura. Ela é necessária para a vida. É um fator essencial para a concentração e realização de tarefas importantes. Em uma entrevista realizada por Stephen Colbert com Steven Spielberg e John Williams, os entrevistados prontamente concordam quando Colbert, ao discutir sobre o papel da ansiedade nas obras dos dois artistas, afirma que “se você não está nervoso, não está tentando” – destacando, assim, a presença da ansiedade em trabalhos importantes. Porém, ela gera esses frutos positivos apenas quando se encontra em níveis saudáveis. Se a ansiedade ocorre em uma intensidade alta de forma muito recorrente, torna-se patológica e tem efeito contrário. De acordo com o DSM (principal manual descritivo de transtornos mentais): ela dificulta a concentração; gera irritabilidade; traz fatigabilidade; perturba o sono e apetite; promove problemas digestivos; inquietude; tensão muscular; bruxismo; medo de falar em público e pode provocar isolamento social. Ou seja, em níveis patológicos, a ansiedade não colabora para a execução focada de atividades, mas impede sua execução.
Assim como na maioria dos transtornos, o tratamento mais indicado é composto por medicação unida à psicoterapia. Os ansiolíticos formam o grupo de remédios que reduzem a ansiedade. Eles são especialmente eficazes no combate aos sintomas físicos, como taquicardia e náusea, por exemplo. E por amenizarem os sintomas, auxiliam na execução das técnicas psicológicas. Uma técnica eficaz é a dessensibilização sistemática (Reubart, 1985). Resumidamente, ela consiste em decompor a situação que causa ansiedade e gradualmente aproximar o indivíduo do evento.

Por exemplo, um pianista sente muita ansiedade ao tocar em concertos de grande audiência. Para amenizar sua ansiedade é preciso que ele comece a tocar para pequenos grupos. Quando ele tocar para 5 pessoas e não se sentir ansioso com isso, aumentamos o grupo para 10 pessoas. Após algumas repetições, chegará o momento em que tocar para um público desse tamanho não lhe será mais ansiogênico. Então aumentamos o grupo para 30 pessoas e repete-se o processo, quantas vezes for necessário, até que esse pianista seja capaz de entrar em um auditório com 1000 espectadores e não sentir uma ansiedade patológica que o “congele” e impossibilite sua apresentação. Esse é um exemplo simplificado da técnica, mas ilustra a sua execução. É importante ressaltar que ela demanda a orientação e o suporte de um psicólogo para funcionar.
No caso de uma ansiedade mais generalizada, isto é, quando ela se faz presente sem ter um foco específico, existem outras técnicas a serem utilizadas. Esse é um trabalho que precisa seer estruturado de forma individualizada, sempre levando em consideração as especificidades de cada paciente. É preciso encontrar quais fenômenos facilitam a aparição e intensificação da ansiedade na sua vida e criar estratégias que possibilitem mudanças comportamentais para que esse sentimento perca força e não impeça você de realizar as atividades que deseja ou necessita. Assim, é necessário agendar uma sessão de psicoterapia para encontrar as mudanças que serão mais eficazes no seu caso particular.
Se você deseja aprender mais sobre essa e outras formas de tratamento, amenizar sua ansiedade e ter uma qualidade de vida melhor, marque uma sessão comigo. Estou aqui para te ajudar!
Até breve!
Referências:
World mental health report: transforming mental health for all. Geneva: World Health Organization; 2022. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.
Reubart, D. (1985). Anxiety and Music Performance On Playing the Piano From Memory. New York, NY: Da Capo Press.
Entrevista de Colbert com Spielberg e Williams: https://www.youtube.com/watch?v=YTKs0JRVlrQ
%20(1).png)



Comentários