Luto
- victorabiassio
- 24 de mar. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 14 de jun. de 2024
Luto é o processo de sofrimento causado pelo falecimento de uma pessoa com a qual haviam vínculos característicos de um relacionamento próximo (Zwielewski & Sant’ana, 2016). Ao contrário do que o senso comum presume, não há uma duração exata para vivenciar o luto. Isso ocorre porque, apesar de ser um acontecimento universal e natural, ele acontece em diferentes contextos culturais que incitam diferentes significados para esse processo (Malkinson, 2010).
Os principais sintomas do luto são tristeza profunda; solidão; choro; falta de concentração; sonhar com quem faleceu; falta de energia; podendo chegar à ansiedade, culpa e falta de ar (Zwielewski & Sant’ana, 2016). Em geral, o luto é um processo saudável e faz parte da vida. No entanto, se ele não for vivenciado de forma adequada, pode se tornar patológico e evoluir para ansiedade ou depressão. Mas como identificar se o luto está se desenrolando de maneira saudável ou não?
No luto comum as reações são intensas logo após o falecimento e, gradualmente, passam a diminuírem ao longo do tempo.

Ele configura uma resposta à perda da pessoa próxima e consiste no reajuste - por meio do reconhecimento dessa perda - do indivíduo a uma nova realidade na qual o ente querido não faz mais parte. Por outro lado, quando o sujeito não está preparado para lidar com a mortalidade humana, a aceitação do súbito rompimento do vínculo que existia com a pessoa falecida se torna mais difícil. Quando ocorre a negação e repressão dessa morte, o sofrimento é intensificado e, com o passar do tempo, pode evoluir para ansiedade ou depressão (Parkes, 1998).
Sendo assim, a aceitação da perda do ente querido é fundamental para que o luto transcorra de maneira saudável. É necessário que ocorra o reconhecimento de que a realidade foi fundamentalmente alterada (Dantas et al., 2020). Aceitar a morte não significa esquecer da pessoa amada, mas ressignificar essa relação para incluí-la na reconstrução e remodelação do mundo (Parkes, 2009). Bowlby (1980) também reforça essa ideia ao afirmar que a aceitação é determinante para a reformulação da vinculação simbólica que existe com o falecido, de forma a integrá-lo a uma nova realidade.
Uma forma importante de aceitar essa passagem é por meio de rituais. Um ritual é um poderoso ato simbólico que confere significado a certos eventos da vida ou experiências. São veículos que proporcionam estrutura e oportunidade para expressar emoções e permitir que a comunidade testemunhe e interprete um evento (Doka, 2002). Um exemplo de ritual seria o velório do ente que faleceu. Esse acontecimento permite uma despedida simbólica e literal, o que facilita a aceitação dessa morte que dói tanto. Uma das estratégias clínicas para intervenção de um luto muito intenso consiste justamente em criar um ritual para simbolizar essa partida. Pode-se escrever cartas, cartões ou até se utilizar de músicas ou pinturas para dizer adeus à pessoa que se foi. Desde que auxilie nesse processo de aceitação do falecimento, existem inúmeras possibilidades.

A psicoterapia também se faz importante ao trabalhar com as questões que circundam essa morte. Afinal, existem planos que envolviam o falecido que precisarão serem alterados? Qual era o papel que essa pessoa exercia no seu cotidiano? Qual era a relação dela com o seu propósito de vida? Um sentimento comum que aparece no luto é o de culpa (Zwielewski & Sant’ana, 2016). O que não foi dito? O que não foi feito? O que poderia ter sido diferente? Esses são questionamentos importantes que se não forem analisados, dificultam a aceitação.
Quer saber mais sobre práticas que promovem a aceitação do falecimento do ente querido? Precisa de auxílio para lidar com essa perda que faz tanta falta? Então marque uma sessão comigo para trabalharmos essas questões. Conte comigo para amenizar a sua dor!
Até breve!
Referências:
BOWLBY, J. Attachment and loss – Loss: sadness and depression, v. 3. Nova York: Basic Books, 1980.
Dantas, C. de R., Azevedo, R. C. S. de ., Vieira, L. C., Côrtes, M. T. F., Federmann, A. L. P., Cucco, L. da M., Rodrigues, L. R., Domingues, J. F. R., Dantas, J. E., Portella, I. P., & Cassorla, R. M. S.. (2020). O luto nos tempos da COVID-19: desafios do cuidado durante a pandemia. Revista Latinoamericana De Psicopatologia Fundamental, 23(Rev. latinoam. psicopatol. fundam., 2020 23(3)), 509–533. https://doi.org/10.1590/1415-4714.2020v23n3p509.
DOKA, K. “Introduction”. In: DOKA, K. Disenfranchised grief: new directions, challenges and strategies for practice. Illinois: Research Press, 2002, p. 17.
MALKINSON, R. Cognitive behavioral grief therapy: the ABC model of rationalemotion behavior therapy. Psychological Topics, v. 2, p. 289-305, 2010.
PARKES, C. M. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. São Paulo: Summus, 1998.
Parkes, C. M. Amor e perda: as raízes do luto e suas complicações. Trad. Maria Helena Pereira Franco. São Paulo: Summus, 2009.
Zwielewski, G., & Sant'Ana, V. (2016). Detalhes de protocolo de luto e a terapia cognitivo-comportamental. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 12(1), 27-34. https://dx.doi.org/10.5935/1808-5687.20160005
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